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sábado, 11 de agosto de 2012

[DOWNLOAD] 1972 - Acabou Chorare - Novos Baianos



Não é uma família. Talvez um time. NOVOS BAIANOS. Mais perto do som. No seu mundo subterrâneo. À beira do abismo. Por fora de 'Ismos'. Na porta. Varrendo o terreiro. Lavando os pratos como quem faz música. Sem prantos, no fonte, na boca da criação... (...)
Luiz Galvão, letrista, biógrafo e mentor intelectual do grupo, no encarte de Acabou Chorare.


Acabou Chorare é o segundo álbum de estúdio do grupo musical brasileiro Novos Baianos. O disco foi lançado como Long Play em 1972 pela gravadora Som Livre, após o sucesso do álbum "É Ferro na Boneca (1970)".  Adotando influências da guitarra expressiva de Jimi Hendrix e a brasilidade de Assis Valente, e sobretudo a influência estrondosa de João Gilberto, que também serviu de mentor do grupo na época da realização do disco, o grupo realizou uma obra que apresenta grande versatilidade de gêneros musicais.

Sua faixa de abertura, "Brasil Pandeiro", foi proposta por João Gilberto e é um dos sambas, ao lado de "Recenseamento", que Assis Valente havia escrito para a recém-chegada Carmem Miranda dos Estados Unidos; ela aceitou a segunda, mas ignorou a primeira, que ficou em ostracismo.
O título do álbum e a faixa homônima também foram inspiradas no estilo de bossa nova de João Gilberto e numa história contada por ele sobre sua filha com Miúcha, a então bebê Bebel Gilberto, e representa a proposta principal do disco de criticar a tristeza que então dominava a música popular brasileira com alegria, prazer e jocosidade. "Preta Pretinha", por sua vez, virou mania nacional, e "Besta é Tu" e "Tinindo Trincando" dominaram as rádios do país.

A capa do disco, uma mesa de madeira que havia sido construída por Pepeu Gomes, mostra pratos e copos espalhados, talheres e panelas desarrumadas, moscas e farinha, simbolizando "mistura" musical e o espírito comunitário do grupo que vivia em um sítio de Jacarepaguá, no estilo de vida comunitário típico dos hippies.
Em 1972, ela recebeu prêmio de melhor produção gráfica do ano; a arte leva assinatura de Antônio Luis Martins, mais reconhecido como "Lula", protagonista do cult-movie Meteorango Kid - O Herói Intergalático (1970), de André Luiz de Oliveira.

Foram ao todo dois anos de elaboração da linguagem musical do disco, com o grupo compondo, ensaiando, desenvolvendo o álbum, e João Gilberto dando toques e sugestões. Segundo Moraes Moreira, era natural morar, produzir, compartilhar tudo junto à comunidade do sítio: "Era uma coisa que ia acontecendo dentro daquele caos que a gente vivia. [...] A gente não fechava a porta do quarto para compor. Era ali no meio de todo mundo, na alegria. A gente achava que isso ia influir na nossa música. E influiu. [...] Para nós, a vida era o ensaio. Quando fomos gravar o Acabou Chorare, tudo já estava debaixo do dedo de tão ensaiado do dia-a-dia. Você ouve e percebe que o disco foi gravado em quatro canais."

Paulo César Salomão, técnico de som do disco, morava nos lugares do terreno onde ficavam o galinheiro hoje desativado e o chuveiro coletivo. Virava madrugadas estudando eletrônica e—como ainda não havia recursos para comprar peças novas para as guitarras do disco—teve de melhorar o som da Supersonic entalhando o instrumento, "dentro do qual acoplou capacitores removidos do televisor (não assistido) que a família tinha no sítio".
O "truque do televisor", como ficou conhecido, é notável sobretudo na "abelhuda estridência" de "Bilhete Para Didi" e no solo de "Mistério do Planeta". Salomão também foi hábil em transformar o galinheiro em estúdio, colocar amplificadores, e caixas de som nos galhos de árvores.

Grande parte da diversidade e criatividade do disco deve-se à mistura de samba com rock.
Segundo Galvão, "Samba naquela época era coisa só de universitário. Muito ruim, porque universitário não sabe fazer samba mesmo. Aí a gente nasceu anti-samba." Mas, por intermédio de João Gilberto, o grupo, que antes adotava formas de música pesada, elétricas, tomou gosto pelo samba e o "apresentou" ao rock. O resultado é que a beleza sonora do disco consiste em cavaquinhos, percussão brasileira e guitarra elétrica. Isto é, uma fusão de instrumentos de choro e samba (cavaquinho e violões) com guitarras, e um toque joãogilbertiano de bossa nova".

Com o lançamento, Acabou Chorare foi um estouro e permaneceu entre os primeiros colocados nas paradas por mais de trinta semanas. Aos Novos Baianos foi dado um alto status na cena cultural brasileira.
Houve uma imensa repercussão de vendas e do sucesso de canções como "Preta Pretinha", cuja exibições nas rádios empurraram o LP para as 150.000 cópias vendidas (um espanto na época).
Em 2007, na eleição de Lista dos 100 maiores discos da música brasileira feita pela Rolling Stone, Acabou Chorare aparece em primeiro lugar, sendo considerado obra-prima pelos estudiosos, produtores e jornalistas convocados para a votação.


Tracklist:
01. Brasil Pandeiro
02. Preta Pretinha
03. Tinindo Trincando
04. Swing de Campo Grande
05. Acabou Chorare
06. Mistério do Planeta
07. A Menina Dança
08. Besta é Tu
09. Um Bilhete Para Didi
10. Preta Pretinha

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